DNPM na mira do TCU
por Luana Lopes
No dia primeiro de dezembro o Jornal Valor Econômico publicou uma matéria que trouxe preocupação para o setor mineral. Tratava-se de um quadro contendo a situação do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral órgão responsável pelo planejamento, concessão e fiscalização da mineração brasileira. Os sistemas de gerenciamento das riquezas minerais estavam expostos em uma auditoria realizada pelo TCU – Tribunal de Contas da União mostrando um diagnóstico e uma situação alarmante.
Os problemas partem da falta de capacidade do órgão em administrar o volume de pedidos de pesquisa minerais que recebe. Os DNPMs do Pará e de Belo Horizonte foram analisados pelo TCU, onde os dois somam 80% da arrecadação mineral de todo país.
Fonte: Valor Econômico
Segundo o DNPM-MG há processos na fila para receber um parecer conclusivo há mais de dez anos e se continuar neste ritmo demoraria aproximadamente 5 anos para atender todos os pedidos, fora a inclusão constante de novos relatórios.
São cerca de 960 processos que entram por ano no DNPM mineiro. O levantamento informa que, a cada ano o passivo aumentaria em 180 processos o que levaria o cenário atual para uma situação totalmente insustentável.
Interrogado sobre o problema o DNPM alegou a falta de funcionários para ajudar no serviço e para trabalhar na área de aprovação do relatório, e que é necessário realizar uma fiscalização e vistoria em cada local requerido.
A diretoria da autarquia informou na reportagem que prioriza a análise de projetos nos quais as mineradoras demonstram mais interesse. A etapa seguinte é a autorização para o aproveitamento da jazida, também passa por dificuldades, o requerimento de lavra pode ser feito pela mineradora e até um ano depois ter a aprovação de seus estudos pelo DNPM, prazo que pode ser prorrogado por apenas mais um ano.
Segundo o Tribunal, os processos de mineração que chegam ao DNPM, levam, em média, cerca de 12,2 anos para terem a análise concluída. O TCU deu um prazo de 90 dias para que a autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia apresente um plano de ação com esclarecimentos para a análise dos pedidos de pesquisa e de lavra, além do apontamento de medidas para reduzir o volume de processos em andamento.
Fonte:
TCU aponta falhas no DNPM
| Autor(es): » Erich Decat |
| Correio Braziliense - 17/12/2011 |
Tribunal coloca em xeque a capacidade do órgão para realizar a gestão e a fiscalização do setor mineral
Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) constatou uma série de problemas no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que colocam em xeque a capacidade do órgão em realizar a gestão e a fiscalização das atividades do setor de mineração no país. Autarquia vinculada ao ministério de Minas e Energia, o DNPM atua na promoção e planejamento da exploração mineral em todo o território nacional.
Apenas em 2010, arrecadou R$ 1,2 bilhão, confirmando a tendência de alta no setor dos últimos anos. A auditoria do TCU foi feita na sede da instituição em Brasília, e nas superintendências dos estados do Pará e de Minas Gerais. O foco dos técnicos do tribunal se concentrou nesses três locais em razão de eles serem responsáveis por cerca de 80% do que é arrecadado com a Compensação Financeira pela Exploração de Minerais (CFEM), principal receita desse setor.
Entre os problemas encontrados está um "elevado" número de processos engavetados em razão de atrasos na análise por parte doDNPM. Apenas em Minas Gerais verificou-se a existência de 3.842 relatórios finais de pesquisa parados. Desse total, 3.757 são referentes a relatórios positivos, ou seja, aqueles nos quais se identificou área com sustância mineral e 85 relatórios negativos, em que não se identificou substância mineral.
Segundo informações prestadas pelo DNPM, os processos minerários levam, em média, 12,2 anos para ter análise concluída, gerando um acúmulo nos estoques. Esse atraso, ainda de acordo com a autarquia, deve-se ao reduzido quadro de funcionários e ao baixo orçamento para custear as despesas com fiscalizações nos locais de realização das pesquisas.
Falta de critérios
Outro fator de preocupação por parte do TCU é o não aproveitamento de recursos minerais por empresas que conseguem concessão continuada de alvarás de pesquisa. "Das entrevistas e análise documental, identificamos subterfúgio utilizado pelas empresas de mineração que permite o monopólio e a especulação em áreas de elevado potencial econômico, sem, contudo, a realização de quaisquer trabalhos de pesquisa ou, em alguns casos, apenas estudos superficiais", ressalta o ministro Raimundo Carreiro, autor do relatório. "Além disso, não há critérios precisos para a seleção dos processos que serão analisados, restando privilegiados os requerentes que pressionam a autarquia que acabam por definir as prioridades do órgão", acrescenta Carreiro.
O ministro também aponta problemas no sistema de armazenamento de dados do DNPM. Segundo Carreiro, eles estão desatualizados e inconsistentes, "comprometendo a credibilidade das informações prestadas pela entidade". O ministro deu um prazo de 90 dias para que esse problema seja sanado.
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